-> Você está convencido (a) de que é uma pessoa tímida?

O que é uma convicção?

Muitas vezes, ao longo da vida, falamos sem termos uma ideia nítida do que convicção é de fato. A maioria das pessoas trata uma convicção como se fosse uma coisa, quando na verdade é um sentimento de certeza em relação a algo. Se você diz que acredita que é inteligente, o que diz na verdade é “Tenho certeza de que sou inteligente”. Esse senso de certeza permite-lhe explorar recursos que proporcionam resultados inteligentes. Todos nós temos as respostas dentro de nós para tudo virtualmente… Ou pelo menos temos acesso às respostas de que precisamos por intermédio de outros. Mas muitas vezes a ausência de convicção, ou ausência de certeza, faz com que não usemos a capacidade interior.

As pessoas desenvolvem com frequência convicções limitadoras sobre quem são, e do que são capazes. Porque não conseguiram no passado, acreditam que também não conseguirão no futuro. Em decorrência, por medo da dor, passam a focalizar constantemente que são “realistas”. A maioria das pessoas que dizem a todo instante “Vamos ser realistas” está na verdade apenas vivendo no medo, com pavor de outro desapontamento. Por medo, desenvolvem convicções que as levam a hesitar, a não se empenharem por completo… e por isso obtêm resultados limitados.

Precisamos compreender que nossas convicções possuem a capacidade de nos deixar doentes ou nos tornar saudáveis de um momento para outro. Já foi comprovado que as convicções afetam o sistema imunológico. E, mais importante ainda, as convicções podem nos proporcionar a determinação de agir, ou enfraquecer e destruir nosso ímpeto. Neste momento, as convicções estão moldando como você reage ao que acaba de ler, e o que fará com o que está aprendendo nesta página do site. Às vezes desenvolvemos convicções que criam limitações ou forças dentro de um contexto muito específico; por exemplo, como nos sentimos em relação à capacidade de cantar ou dançar, consertar um carro, ou fazer cálculos. Outras convicções são tão generalizadas que dominam praticamente todos os aspectos de nossas vidas, de forma negativa ou positiva.

Uma maneira simples de compreender uma convicção é pensar a respeito de seu fundamento: uma ideia. Há muitas ideias sobre as quais você pode pensar, mas sem acreditar de fato. Vamos tomar por exemplo a ideia de que você é tímido. Pare por um segundo e diga a si mesmo “Eu sou tímido”. Se é apenas uma ideia ou uma convicção vai depender do grau de certeza que você sente em relação ao que diz. Se pensa “Não sou realmente  muito tímido ”, o que está dizendo no fundo é “Não tenho muita certeza se de fato sou tímido”.

Como transformamos uma ideia numa convicção? Permitam-me oferecer uma metáfora simples para descrever o processo.

Se puder pensar numa ideia como um tampo de mesa sem pernas, terá uma representação adequada do motivo pelo qual uma ideia não parece tão certa quanto uma convicção. Sem pernas, o tampo da mesa nem mesmo ficará de pé sozinho. A convicção, por outro lado, tem pernas. Se você acredita mesmo, “Eu sou tímido”, como você sabe que é tímido? Não é verdade que tem algumas referências para apoiar esta ideia e algumas experiências na vida para sustentá-la? Essas são as pernas que tornam sólido o seu tampo da mesa, que tornam certa a sua convicção. Quais são algumas das experiências de referência que já teve? Talvez homens e mulheres tenham lhe dito que é tímido. Ou talvez se contemple no espelho, compare sua imagem com as de outras pessoas que consideram tímidos, e diga: “Ei, pareço com elas!” Todas essas experiências nada significam até que as organize sob a ideia de que é tímido. Ao fazer isso, as pernas fazem com que se sinta firme em relação à ideia, e a levam a começar a acreditar nela. Sua ideia se torna certa, e é agora uma convicção.

A partir do momento em que compreende essa metáfora, você pode começar a perceber como as convicções se formam, e também ter um vislumbre de como pode mudá-las. Primeiro, porém, é importante ressaltar que podemos desenvolver convicções sobre qualquer coisa, se encontrarmos pernas suficientes — experiências de referências — para sustentá-las. Pense a respeito. Não é verdade que já teve experiências suficientes na vida, ou conhece bastantes pessoas que passaram por experiências difíceis com outros seres humanos, para desenvolver a maior facilidade, se assim quisesse a convicção de que as pessoas são podres, e se aproveitariam de você se tivessem oportunidade? Talvez você não queira acreditar nisso, e já ressaltamos que seria enfraquecedor, mas não tem experiências que poderiam apoiar essa ideia, e levá-lo a ter certeza a respeito, se quisesse? Também não é verdade que já teve experiências na vida — referências — para sustentar a ideia de que se realmente se importar com as outras pessoas, e tratá-las bem, vai descobrir que no fundo são boas e vão querer ajudá-lo em troca?

A questão é a seguinte: qual dessas convicções é a verdadeira convicção? A resposta é que não importa qual seja a verdadeira. Importa apenas qual é a mais fortalecedora. Todos nós podemos encontrar alguém para apoiar nossa convicção, e fazer com que nos sintamos mais firmes ou mais frágeis a respeito. É assim que os seres humanos são capazes de racionalizar.

A questão fundamental, mais uma vez, é se essa convicção nos fortalece ou enfraquece, nos concede ou tira poderes em termos cotidianos. Mas quais são as possíveis fontes de referências em nossas vidas? É certo que podemos nos basear nas experiências pessoais. Às vezes, adquirimos referências através de informações que recebemos de outras pessoas, ou de livros, gravações, filmes e assim por diante. E às vezes formamos referências com base exclusiva na imaginação. A intensidade emocional que sentimos sobre qualquer dessas referências afetará sem dúvida a força e extensão de uma perna. As pernas mais fortes e mais sólidas são formadas pelas experiências pessoais a que atribuímos uma grande carga de emoção, porque foram experiências dolorosas ou agradáveis. O outro fator é o número de referências que temos — é evidente, quanto mais experiências de referência apoiam uma ideia, mais forte se tornará sua convicção. Suas referências precisam ser precisas para que você se mostre disposto a usá-las? Não, podem ser reais ou imaginárias, precisas ou imprecisas… Até mesmo nossas experiências pessoais, por mais que as sintamos sólidas, são distorcidas pela perspectiva pessoal, ou seja, pela interpretação que damos a estas experiências.

Um dos maiores desafios na vida de qualquer pessoa é saber como interpretar os “fracassos”. A maneira como lidamos com as “derrotas” na vida e o que determinamos como causa moldarão nossas vidas. Precisamos lembrar que como lidamos com a adversidade e os desafios, eles moldarão nossas vidas mais do que qualquer outra coisa. Às vezes recebemos tantas referências de dor e fracasso que começamos a reuni-las numa convicção de que nada que fizermos poderá melhorar a situação.  Pessoas  tímidas, por exemplo, passam a sentir que tudo é inútil, que são impotentes ou sem valor, ou que podem tentar qualquer coisa que sempre acabarão perdendo. Esse é um conjunto de convicções a que nunca devemos nos entregar, caso desejamos alcançar algum sucesso na vida. Tais convicções nos despojam do poder pessoal e destroem nossa capacidade de agir.

Portanto, será mesmo que você é extremamente tímido (a) ou tem apenas características de inibição aqui e ali? Convicções pessoais merecem ser revistas e administradas, do contrário, ela nos escravizam!

Como mudar uma convicção?

Busque novas experiências que possam desencadear mudanças em você, pequenas que sejam, pois elas lhe levarão para novas ideias e convicções sobre você e poderá assim questionar, avaliar as antigas e, se for o caso, descartá-las. No momento em que começamos a questionar honestamente alguma convicção disfuncional, não mais as sentimos como certeza absoluta.

Texto baseado em Anthony  Robbins.

Anthony Robbins, ou Tony Robbins, é um estrategista, escritor e palestrante motivacional estadunidense. É um dos responsáveis pela popularização da Programação Neurolinguística. Ele também é um famoso coach.