Sugestão de leitura: “Histórias que encorajam” – Livro digital

VIAGENS COM A ORATÓRIA E O TEATRO.

Histórias que encorajam

de Raimundo P. Barbosa

Sinopse:

Este livro digital, em formato PDF,  num estilo próximo ao de crônica narrativo-descritiva, relata algumas situações das viagens com o curso de oratória por BH, RJ, SSA e SP; aborda a vivência com alunos, aponta dificuldades recorrentes entre eles e também suas conquistas no aprendizado; além de propor exercícios de oratória, voz e teatro  aos leitores. 

SUMÁRIO

Parte I – As técnicas

Parte II – Vivência com o aluno

*

                                                                              Capítulo 22: O viajante

O acaso não escolhe, propõe.”

José Saramago.

Sentado no sofá em frente à janela do apartamento em Salvador e diante de uma branca paisagem, o mar e céu acinzentados, por conta de uma manhã enfadonhamente chuvosa, sou surpreendido por uma revoada de pombos desnorteados, vindos de direções diversas. É uma tarde de sexta-feira de agosto em 2021. Eu refletia sobre como escrever este capítulo, quando repentinamente estoura a primeira revoada. Em seguida, mais outros grupos de pássaros entrecortam a paisagem, em seguida mais outro e mais outro. Aqui e ali araras, garrinchas, bem-te-vis, sabiás e pardais apresentam-se diante de mim, numa dança aturdida pelo céu. Sorrio, e exclamo divertidamente: “Já vem ele!”.  E, ai, ele surge, o solitário predador, o meu majestoso vizinho, o gavião da queimada, mais conhecido por carcará. Num voo certeiro invade a paisagem diante da janela enlouquecendo a passarada.

 Vez por outra este bailado aéreo acontece, o apartamento localiza-se entre duas pequenas matas urbanas, a do Passeio Público e do Largo do Campo Grande. Exatamente nos galhos mais altos das árvores do Passeio Público, o meu vizinho reside. Bem de frente à janela. Árvores altas com copas amplas e os troncos largos – paineiras, mangueiras, amendoeiras e palmeiras. Nestas últimas eu o tenho visto, na maioria das vezes. Uma escolha estratégica a dele, são as mais altas. Dizem que é uma ave inteligente. “Espera… Está vindo!” – resurgiu ao longe, num voo reto vai para cima de um bando de pombos que se assustam novamente e voam desorientados por todos os lados. Totalmente perdidos. Silêncio. Meu vizinho novamente desaparece. Longa pausa. O mar, a certa distância, começa a mudar sua tonalidade. Esverdeia-se. E, então, à esquerda irrompe um amarelo um tanto desbotado de sol sobre a cinza paisagem. E, pronto, e é sobre este amarelo que ele retorna. Num voo suave e, agora completamente solitário, em suas quase longas e estreitas asas escuras e riscas brancas distancia-se lentamente. Saciado. Será mesmo, será que foi bem sucedido em sua caça? Não sei. Os pássaros menores, cautelosos e defensivos, debandaram-se todos, mas meu majestoso vizinho tem presença. Lá vai ele, suavemente voa para dentro da mata. Ah, sim, presença, ele tem! No ar, sua altivez tem presença às pencas, e a passarada costuma não gostar nadinha disso.

Veio-me, então, a lembrança de uma experiência também coberta nos mesmos tons e sentimentos, mas agora na capital paulista. Não houve um predador solitário feito meu temporário vizinho baiano, o carcará, mas um outro vilão – o mau tempo. Ele nos impôs sua presença já logo nas primeiras horas da manhã. Era como se uma parte do céu houvesse desabado por sobre a cidade. Bem bizarro. Fez debandar alunos. Ainda assim, não fragilizou a turminha que se formou naquele estranho, úmido e frio dia em São Paulo.

Fico um tanto confuso a princípio com o que me vem à memória, e faço contato com o Elison: – Estou com uma dúvida… A primeira aula da turma em São Paulo, naquele dia bem chuvoso, foi num sábado?

– Não, claro que não… No domingo. No sábado estávamos no Rio fazendo a aula na Lagoa… Não se lembra do vendaval?

– É? Ah, tá… Não é que é mesmo?!

Três anos antes, num sábado e, coincidentemente, no mês de agosto, estávamos realizando nossa última aula carioca. Uma boa parcela da turma aderiu à minha sugestão de realizá-la ao ar livre. Que bom!  E foi assim…

Uma folha de papel bate forte sobre minhas costas, enquanto simultaneamente os cabelos das alunas desalinham-se. Latas vazias de refrigerantes rolam pela pista de caminhada. E, aí, muito de repente, uma grossa camada de poeira atinge-nos em cheio. Folhas secas em tons alaranjados das amendoeiras mais próximas passam velozmente por nós – sim, era agosto, e elas tendem a cair neste período. Olhamos assustados um para o outro e interrompemos o improviso que até então estava sendo feito pelos alunos na Lagoa Rodrigo de Freitas, próximo da Estação Cantagalo. Olhamos ao redor e quase não víamos os prédios vizinhos… Muita poeira! Uma das alunas assustou-se: “Gente, o que está acontecendo?”. As espessas nuvens que se formavam acima do Mirante do Urubu no Parque da Catacumba chamaram a atenção do aluno: “Olha aquilo, chuva à vista!” “E deve cair a qualquer instante!”.

Lembro-me daquela manhã, então, com satisfação. Já estávamos alguns bons minutos praticando os jogos de improviso quando aquele forte vento nos atingiu. Os alunos presentes mantiveram-se tranquilos sob os olhares dos frequentadores matinais da Lagoa naquele sábado de agosto em 2018, e meu propósito era exatamente desafiá-los, ou seja, estimular neles a coragem do improviso diante de uma plateia mutante. Alguns paravam rapidamente e os observavam, enquanto outros indiferentes olhavam apenas de soslaio. O intuito era este, lidar com comportamentos diversos do público, e estavam indo bem até sermos açoitados pelo vendaval e encobertos surpreendentemente pela espessa nuvem de areia.

 – Vamos para o Lagoon! Lá tem cobertura. Disse o aluno num sotaque que me pareceu naquele momento bem familiar, ainda que tivesse nele também uma leve musicalidade carioca.

– Lagoon?! – Uma das alunas perguntou sobressaltada.

– Fica próximo daqui? – Perguntei.

– É ali! Disse o aluno apontando à direita.

Reconheci então seu sotaque, e me lembrei de que ele havia dito ser mineiro em alguma outra aula. Na verdade não era próximo do local em que estávamos, e aquele seu “ali” era de fato como se costuma brincar “ali” de mineiro, ou seja, distante. Fomos! E foi uma caminhada adorável, conversamos descontraidamente uns com os outros, e eu particularmente com ele, e por quê? Identifiquei-me de alguma maneira com aquele engenheiro de produção; também sou mineiro, e coincidentemente tínhamos sido criados na mesma região de Minas Gerais, a Zona da Mata. Tivemos assuntos em comum. Ele tinha um temperamento gentil, dócil e sua presença facilitou o convívio de todos naquela longa caminhada até ao Complexo Lagoon.  O vendaval passou, e a chuva… Bem, a chuva acabou acontecendo mesmo em outro local.

Concluímos a aula naquela manhã carioca, e no mesmo sábado ao final da noite já estávamos em São Paulo para o início da turma no outro dia, em Vila Mariana. A esperada chuva após vendaval na Lagoa Rodrigo de Freitas acabou acontecendo mesmo foi em Sampa. Putz! Apreensivos, eu e Elison, preparamos a sala para a aula; sentados e reticentes nós ficamos aguardando os alunos na antessala. Mensagens deles surgiam no celular cancelando a participação devido ao temporal.  Tempos depois, naquela mesma antessala, nós nos percebemos conversando animadamente com os três únicos alunos que se prontificaram a comparecer.  Com tantas desistências eu tinha inicialmente como meta cancelar o curso, mas algo aconteceu em mim – fiquei completamente envolvido por aqueles três alunos. O bate-papo com eles havia me transformado.

Uma das alunas havia vindo de Jundiaí para o curso, e comentou que havia pensado em desistir já prestes a sair de casa, mas o seu pai lhe convenceu a vir. Ela estava resfriada e tinha um aspecto cansado e fraco devido a isto. Possuía um jeito determinado, era conscienciosa, imparcial e de uma afabilidade incrível. E, então, surge a segunda aluna: simpática, dócil, comunicativa sem excessos, gestos suaves e sorriso cativante direcionado a todos – de cara sentimos à vontade com sua presença. Havia algo nela que detectei de imediato, e ainda acredito que este tenha sido o motivo da sua presença no curso – ela se considerava tímida e este seu autojulgamento lhe incomodava muito. Na verdade, a meu ver, tinha apenas um toque de introversão em sua personalidade, e que ao longo do treinamento verifiquei ter sido esta sua introspecção a sua fonte de  energia, a qual lhe possibilitava ser criativa.  Tinha soluções originais para os problemas surgidos durante os improvisos a partir da sua esmerada observação. Duas belas, afáveis e determinadas moças!

O terceiro participante adentra a antessala, o único rapaz da turma. Durante nossa amistosa conversa verificamos que tinha coincidentemente vindo de Jundiaí, mas não estava resfriado…  Ainda bem!  Aparentava ser um tipo desconfiado, mas o que se confirmou depois é que era tímido, ligeiramente. Foi firme, incisivo, também sensível e bem-humorado durante as atividades. Sua presença possibilitou o equilíbrio entre eles e foi muito bem-vindo, particularmente quando se permitia ser combativo em determinados assuntos, e com esta atitude favoreceu aqui e ali conflitos de ideias, os quais costumam ser bastante pertinentes aos improvisos. E, por fim, Elison, com seu temperamento reservado, mas sempre presente e atento – suas tiradas de humor sarcástico compunham bem aquele quinteto na antessala.

Durante nosso bate-papo inicial na antessala olhava, ocasionalmente, para aqueles três alunos e ouvia minha vozinha interna insistentemente dizer-me: “Você não pode decepcioná-los, esta aula precisa acontecer… E como fazê-lo?”. Acreditei naquela turma, acreditei em mim junto àquelas pessoas e, por fim, propus: “Que tal realizarmos o curso todo neste domingo? Nós poderíamos ficar aqui até concluirmos todas as atividades”. Eles toparam de imediato. E assim foi. Vivenciamos um domingo provavelmente inesquecível para todos ali presentes. Chuva? De vez em quando se fazia presente pelo seu ruído e pela friagem que ela trazia, mas esquecemos dela – estivemos aquecidos pelo nosso estado de ânimo, o entusiasmo.

Resultados extraordinários no discurso de cada um daqueles três alunos de fato não ocorreram, e nem podiam ter ocorrido devido ao pouco tempo que tivemos. Contudo, o que fez então aquele domingo ter se tornado tão benéfico a todos? O exercício da coragem, humor e de autoaceitação. Eles se disponibilizaram ao desconhecido através da curiosidade e com baixa taxa de medo e julgamento, dando assim chance de realizarem uma aula alegre e dinâmica. Havia química entre os participantes, eles se compreendiam, e as suas pequenas conquistas eram saudadas e valorizadas entre eles. Esta atitude possibilitou um clima alegre até mesmo diante das dificuldades de cada um, normalmente resolvidas com bom humor. Houve uma adequação à realidade do outro, ou seja, ao invés de estrategicamente criticar e desejar que o colega mudasse de opinião ou postura com o intuito de facilitar a sua própria dificuldade numa atividade, o que ocorria era uma adaptação de si ao outro. Enfim, não se criou restrições ao colega, cada um procurou se adequar respeitosamente. A relação entre eles não era vertical, ou melhor, não era baseada na superioridade ou inferioridade, e sim na horizontalidade. Procuraram se igualar no aprendizado, provocando com esta atitude a harmonia e o encorajamento. Efetivamente, quando buscamos o reconhecimento alheio e nos preocupamos com o seu julgamento, o que acontece é que vivenciamos a vida sob a ótica dele, e isto não ocorreu, houve sentimento de grupo, ou seja, o cuidado com o outro.  Estavam unidos, e uma pequenina sociedade emergiu deles. E, quando nos sentimos assim, benéficos, ocorre em nós uma sensação de valor, de sermos úteis.

O despojamento na oratória e a comunicação de qualidade

Transportemo-nos agora a um ambiente corporativo.

 Empresas almejam funcionários desembaraçados para que os negócios fluam e necessitam conjuntamente da fluência e transparência em seu diálogo para a manutenção de clientes e a conservação dos empregados. A competência ao dialogar favorece e mantém eficazes estas relações. Mesmo quem não tem o interesse de falar em público profissionalmente, a prática de uma boa comunicação possibilitará um bom emprego, a permanência nele, e bons negócios aos líderes. Uma oratória espontânea e a qualidade na comunicação tornam-se então essenciais. Preparar os funcionários para o diálogo, isto é, desenvolver neles habilidades de uma comunicação mais eficaz, pode ser fundamental para melhorar o ambiente e a produtividade.

Equivocamente podem ocorrer lacunas na comunicação dentro das empresas, ou seja, acontecer de patrões e diretores executivos, altivos e com baixa percepção do outro, reclamarem do baixo desempenho de empregados, o que resultaria numa debandada de funcionários, isto é, em demissões. Cautelosos e na defensiva, empregados podem se queixar da relação difícil e autoritária dos patrões, o que provocaria distanciamento e insipidez nestas relações. A deficiência no relacionamento interpessoal profissional, pessoal ou familiar, quando ocorre, reside normalmente na comunicação, no diálogo pobre, onde se predomina a verticalidade das relações, isto é, o superior versus o subordinado.

 O trabalho é essencialmente um meio de ganhar dinheiro? Não deverá ser apenas isto. Cultivar no funcionário a sensação de pertencimento, de estar a contribuir, a satisfação de se empenhar pelo grupo e com autenticidade, trará também neste funcionário o sentimento de ser útil, de ter valor, elevando assim sua autoestima. Do contrário, um baixo estímulo profissional e pessoal ocorrerá, e o seu desestímulo acarretará em oratória ineficiente. Uma empresa onde haja uma conversa clara, sincera e objetiva com os seus profissionais oferecerá condições a eles de interação com liberdade e confiança, contribuindo para que a comunicação deles e os clientes fluam e, consequentemente, a oratória de cada um terá maior alcance e, assim, surgirão oportunidades de consolidar boas transações comerciais. Construirá também a sensação de ter os colegas de trabalho como companheiros e a empresa, o refúgio deles.

O trio de alunos, no acaso dos acontecimentos daquele chuvoso e frio domingo de agosto, vivenciou esta sensação de pertencimento e, ao ocorrer este sentimento num grupo, ele tende a dignificar cada componente seu. De fato, assim todos nós nos sentimos ao terminar as atividades.  Os alunos praticaram a oratória priorizando a comunicação de qualidade entre eles. E boa comunicação abrange não só falar, mas também ouvir eficazmente. Conquista – este foi o sentimento que nos permeou ao encerrarmos o curso logo após o início da noite.

Bem, depois daquela experiência dominical paulistana, os viajantes voltaram ao Rio para possíveis novas dificuldades e estimulantes e reconfortantes aventuras. Nova turma aos sábados anunciava-se em Botafogo…

              

 

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