Espaço de Treinamento

Relação aluno e instrutor

Não há um roteiro preestabelecido para vivermos nossa vida. Quando entramos num curso, esta realidade também se confirma. Quando os improvisos da vida e de um curso fazem algum dos integrantes sair do roteiro nós fechamos as cortinas. Esperneamos, gritamos, choramos, nos decepcionamos porque as coisas não foram como “imaginávamos” e o espetáculo da relação acabou sem aplausos.

Essa decepção tão constante em nossas relações vem do choque entre o imaginado e o verdadeiro.
E por que imaginamos tanto?

Porque temos um sério problema de não assumirmos nossas necessidades emocionais e acabamos às projetando nos outros. Então não vemos a pessoa como ela é, a vemos como nós queríamos que ela fosse. O professor ideal, os colegas ideais, etc. O resultado disso é que queremos criar pessoas artificiais, apagando a sua verdadeira personalidade, para ter alguém que na verdade não existe. Neste jogo o natural é sempre mais forte e uma hora ou outra ele acaba aparecendo. E os problemas surgem pelo simples fato de que nenhuma pessoa real vai poder competir com o ideal de parceiro que você faz na cabeça. É uma batalha perdida. Afinal, ninguém tem a capacidade para adivinhar o que o outro imagina, ou pra ser o que não é.

Mas você ainda quer que o outro adivinhe suas emoções e pensamentos…
Você ainda cultiva aquela lista de exigências que mais dia ou menos dia você vai cobrar…
Você ainda quer que o outro seja diferente…
Que um dia ele mude…

Por que você pode até aceitar uma pessoa. Contudo você aceita metade dela, e metade daquilo que você imagina, na esperança de que um dia ele seja…
E a dor um dia chega, quando você percebe que aquele que está do seu lado nunca será quem você imaginava.

Porém o relacionamento real pode ser, e é, se você deixar, uma aventura incrível, muito além de suas imaginações se você se permitir abandonar as ilusões.

Quando compreendemos que todas as pessoas têm suas limitações, que cada um tem uma personalidade própria e o direito de se manifestar como é, abrimos nosso coração para a oportunidade de viver um amor verdadeiro. Neste ponto ficamos diante de uma pessoa que realmente existe, e que na sua naturalidade, sem estar coberta por um monte de exigências, pode nos surpreender com seu jeito espontâneo de ser todos os dias. Talvez você nunca venha a viver o que imaginou, mas viverá algo muito melhor, dentro da solidez que a realidade traz.

Viver um relacionamento real exige amadurecimento, força interior, estabilidade emocional e acima de tudo amor. É a ternura de olhar o outro como ele é, de amar quem está na sua frente e não na sua cabeça, é a compaixão de aceitar suas limitações, porque temos limitações também, e é um ato de coragem, de mesmo sabendo de seus pontos fracos e dos desafios de um relacionamento, aceitar dar as mãos e caminhar juntos nesta jornada de aprendizagens.

Os relacionamentos existem pra isso. Para aprender. Não aprender necessariamente a lidar com o outro, mas sim conosco. Pois um relacionamento nos dá um espelho de nossas emoções íntimas. Aceitar se relacionar é aceitar se encarar: encarar nossos sonhos, expectativas, nossa paciência, bondade, aceitação, compaixão, ternura, fé, confiança, e acima de tudo, nossa capacidade de amar.
Uma relação é um exercício emocional, é aceitar confrontar a si mesmo, diante da presença do outro.

É por isso que todo relacionamento da certo. Por mais que você tenha sofrido, chorado, terminado… Por mais que tenham sido dez anos, ou cinco minutos… Por mais que tenha sido na experiência de um namoro ou de um olhar, cada pessoa que veio em sua vida veio por sua afinidade, pra lhe ensinar aquilo que você precisava aprender. Pra você lidar com alguma coisa em seu mundo interior. Não deu certo do jeito que você queria, mas do jeito que você precisava e não sabia. Graças a ele você pode aprender mais e amadurecer, e agora estar mais preparado para um relacionamento mais profundo.

Então abra-se pra isso. Assuma o compromisso de enxergar tudo com os olhos da verdade, vendo cada um como é. Assuma suas necessidades e largue as expectativas. Permita-se ser surpreendido pelo outro, sem aquela lista de exigências ou um roteiro traçado. O amor possível é o único que pode te fazer feliz. Pois sabendo que todo relacionamento da certo, o amar torna-se uma aventura por sentimentos e experiências que vão muito além do que você podia imaginar.

(Texto com ideias do terapeuta Luiz Gasparetto, aqui reaproveitado para nosso curso)

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